Não sei sentir, não sei ser humano, não sei conviver de dentro da alma triste, com os homens, meus irmãos na terra.
Não sei ser útil, mesmo sentindo ser prático, cotidiano, nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco, não sei qual, e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos.
E fiquei triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente.
Mas para toda gente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
Não sei se a vida é pouca ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida, de tão interessante que é a todos os momentos, a vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas, de todas as sacadas e ir ser servalgens entre árvores e esquecimentos“.. Álvaro de Campos .
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Anota aí para seu futuro: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém. Correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem. Correr atrás dos seus sonhos, se amar mais. Esquecer tudo aquilo que te faça mal”.
. Caio Fernando Abreu .
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There’s nothing quite like a real book“
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Você não pode se preparar para um impacto repentino.
Não pode se fortalecer.
Só atinge você, do nada.
E, de repente, a vida como você a conhecia…
Acaba.
Para sempre.
Episódio 10, 8ª temporada
Grey’s Anatomy
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Vou ser feliz, sem me importar com o que isso irá causar aos outros… o importante é que não estou fazendo mal a ninguém, pelo contrário! Estou apenas enterrando as impurezas e toxinas da minha vida e deixando brotar uma bela e frutífera árvore, e que seja doce”.
. Caio Fernando Abreu .
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- O livro infanto-juvenil que mais gostei: Os Pinguins do Sr. Popper – Richard e Florence Atwater
Esse livro é um encanto. Sei que sou suspeita pra escrever porque a história é sobre pinguins e pinguins são, do mundo inteiro, os animais mais fofos, interessantes, curiosos, engraçados e LINDOS! Já deu pra notar que eu amo pinguins? Pois é, sou super fã dessas aves curiosas. Somado a esse pequeno detalhe, está o fato da narrativa ser ótima, incrivelmente encantadora como se fosse uma história contada pela vovó. E daquelas que fazem bolos e biscoitos pra comer com leite quentinho numa tarde chuvosa. É bem essa a sensação que tive ao ler esse livro. Os personagens são encantadores e os pinguins são um toque especial na história.
- A aventura que me tirou o fôlego: Viagem ao Centro da Terra - Jules Verne
Tive vontade de ser Axel e poder mergulhar nas entranhas do planeta ao lado do professor e de Hans, um nativo fiel que conduz ambos à essa aventura. A história se desenrola de forma contagiante, variando entre os momentos eufóricos de descobertas e as aflições que os protagonistas passam como a falta de água potável e comida. Fiquei encantada como é possível Verne ter escrito a história há tanto tempo e ainda hoje ela parecer tão contemporânea.
- O terror que me deixou sem dormir: Não li nenhum do gênero.
- O suspense mais eletrizante: Marina – Carlos Ruiz Zafón
Marina é o terceiro romance que leio de Zafón, embora tenha sido escrito antes de “A Sombra do Vento”, meu favorito e “O Jogo do Anjo”. Acredito que a essa altura eu já possa falar do autor com um pouco mais de profundidade e não há como não ser só elogios. A narrativa é simplesmente arrebatadora e te consome logo nas primeiras linhas. As histórias contadas por ele, são daquelas que, mesmo quando não se está com os livros na mão, ficam assaltando os pensamentos. Não sei se Marina entraria realmente no gênero suspense, mas Zafón sempre escreve mistérios sombrios que envolvem suspense na maioria de suas cenas. Vale a leitura!
- O romance que me fez suspirar: Fazendo meu Filme 1,2 e 3 – Paula Pimenta
Fazendo meu filme é realmente como li em várias resenhas e ouvi de várias pessoas, um livro muito fofo. Traz sentimentos, pensamentos e lembranças muito gostosas desse momento tão mágico da vida que é a descoberta do primeiro amor, as amizades, a escola e as novidades que vão se abrindo para o futuro. É uma fase deliciosa da vida e poder relembrar dela com a leitura desse livro foi realmente muito gostoso. A narrativa de Paula Pimenta é muito agradável e não deixou a desejar, faz com que tenhamos vontade de continuar sem parar. Acho isso muito importante, principalmente em se tratando de um livro infanto-juvenil. O desenrolar dos acontecimentos é bem desenvolvido e as personagens são cativantes. Impossível não se apaixonar por Leo e Fani.
- A saga que me conquistou: Coleção The Tudors – Philippa Gregory
Primeiramente tenho que confessar que desde que assisti o filme A Outra com Natalie Portman e comecei a acompanhar The Tudors no Liv (na época People&Arts), me apaixonei perdidamente pelas histórias de intriga, paixão, traição, amor e ódio da corte Tudor. Foi então que descobri Philippa Gregory e seus incríveis livros sobre esse período tão conturbado da história da Inglaterra. A narrativa de Philippa é simplesmente perfeita e as histórias contadas por ela nos cinco livros da saga Tudors são simplesmente imperdíveis!
- O clássico que me marcou: Do Amor e Outros Demônios – Gabriel Garcia Marquez
Já li alguns livros de G. G. Marquez e por isso posso dizer com certeza que admiro muito sua narrativa. A história que ele conta poderia até não ser tão interessante ou fugir daquilo em que acreditamos, mas a maneira com que descreve os fatos é tão apaixonante que tudo se transforma como mágica. Afinal, não é a toa que ganhou o prêmio Nobel de Literatura. A leitura de seus livros é sempre prazerosa e com este não poderia ser diferente.
- O livro que me fez refletir: Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley
Admirável Mundo Novo me deixou inquieta assim como 1984 de Orwell. Ainda que este último tenha me afetado de forma bem mais opressora, Huxley não ficou muito atrás. Já nos primeiros capítulos o autor nos apresenta um mundo inimaginável (porém provável) onde as pessoas são condicionadas biologicamente e psicologicamente a existirem em concordância com as leis e normas sociais da época que não possuíam as éticas religiosas e apegos morais que regem a nossa atual sociedade. Quando algum indivíduo desse “futuro” sente desconforto, dúvida ou incerteza, consome uma droga chamada “soma” que dissipa esses problemas e deixa a pessoa “feliz”. Além disso a sociedade é organizada por castas e os indivíduos já são atencipadamente determinados e condicionados a serem parte de uma delas. Leitura obrigatória.
- O livro que me fez rir: Auto da Compadecida – Ariano Suassuna
Ariano Suassuna me surpreendeu. A leitura de Auto da Compadecida é super agradável e arrancou várias risadas. O livro foi escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste e conta a história de João Grilo e Chicó, dois empregados da padaria da cidade. Além disso, é interessante citar a riqueza cultural da obra que traz elementos de cordel e propõe um enfoque regionalista, abordando tradições dos romanceiros e narrativas nordetisnas. Sem contar com as lindas ilustrações de Romero de Andrade Lima.
- O livro que me fez chorar: O Último Trem de Hiroshima – Charles Pellegrino
Demorei demais pra ler porque o livro é pesado e choca. Não sei se sou muito sensível a estas catástrofes, mas tive inúmeras vezes que fechar o livro, respirar fundo pra poder continuar. Desde o começo da leitura, olho para o céu, as árvores e as pessoas ao meu redor com outros olhos. Fico tentando imaginar como seria se de repente, em questão de três segundos, tudo isso virasse vapor e desaparecesse deixando um rastro de destruição irreversível. O livro com certeza nos faz refletir e muito. Conta, através de diversos depoimentos e histórias impressionantes como foi para aquelas pessoas o horror da bomba atômica. Muito bem embasado, Pellegrino conseguiu transmitir em palavras os impressionantes milésimos de segundos de cada instante, desde o lançamento da bomba em Hiroshima, até a destruição ainda maior em Nagasaki.
- O melhor livro de fantasia: O Hobbit – J. R. R. Tolkien
A história narra o trajeto do Hobbit Bilbo Bolseiro em busca do tesouro roubado pelo dragão Smaug há muitos anos. Nesta viagem repleta de aventura, Bilbo conta com a companhia de 13 anões, incluindo Thorin, cuja família foi uma das roubadas pelo dragão, e Gandalf, o mago que desaparece e aparece nas horas mais inesperadas da história. Durante a trajetória de Bilbo, Tolkien nos presenteia com descrições perfeitas das florestas, riachos, casas, vilarejos clareiras e toda espécie de relevo das Terras Ermas e também de seus habitantes: orcs, lobos, águias, elfos, trolls e outros. Fiquei realmente encantada com o mundo fantástico que Tolkien criou e é impossível não mergulhar fundo em sua narrativa e se ver ao lado dos anões, e do cativante Bilbo Bolseiro. Mestre na narrativa e na criatividade, Tolkien merece todos os elogios que lhe são tecidos desde o lançamento de seus livros, grandes clássicos modernos da literatura.
- O livro que me decepcionou: A Sexta Mulher – Suzannah Dunn
O que realmente é ruim neste livro é que a história é narrada pela amiga de Catarina Parr e fala mais de sua própria vida do que da vida da Sexta Mulher, como se espera ser pelo título do livro. A Sexta Mulher fica apagada e omitida na história a maioria do tempo, enquanto você é obrigado a assistir sua melhor amiga traindo-a com seu marido enquanto ela está grávida.
- O livro que me surpreendeu: Clarice, – Benjamin Moser
Acho que o que mais me chamou atenção é que Moser construiu a história de Clarice através de suas próprias obras, fazendo relações entre sua vida e seus livros, que é como a autora gostava e fazia questão de ser reconhecida. Além disso, é impossível não notar o respeito dele por Clarice, seu profissionalismo e narrativa envolvente. Fez pesquisas profundas e até mesmo viajou para a Ucrânia, onde Clarice nasceu, no intuito de ser o mais fiel possível. E foi. Tenho certeza de que a própria Clarice, que era tão discreta, ficaria feliz com esta biografia tão bem escrita. É com certeza o tipo de livro que você não quer que acabe nunca. Me senti vazia ao terminar a leitura, já com saudades de Clarice outra vez.
- A frase que não saiu da minha cabeça:
Não deveríamos deixar a guerra acontecer nunca mais”.
─ Um sobrevivente,
Charlles Pellegrino in O Último Trem de Hiroshima
- O(a) personagem do ano: Maria Tudor – Coleção The Tudors – Philippa Gregory
O caminho de Mary desde cedo traçado pelas sombras, não muda muito. Seu mundo é sempre rodeado por intrigas e conspirações que parecem vir até mesmo de sua querida irmã Elizabeth que quer ascender ao trono. O único momento de todo seu reinado em que Mary parece realmente feliz é quando se casa com o Príncipe Felipe da Espanha, por quem se apaixona perdidamente e por quem seu coração será despedaçado mais uma vez.
- O Casal Perfeito: Fani e Leo de Fazendo meu Filme – Paula Pimenta
- O(a) autor(a) revelação: Ana Paula Bergamasco e Paula Pimenta
Foram as duas novas autoras brasileiras que conheci este ano e me cativaram pela brilhante narrativa, cada uma em seu gênero. Recomendo!
- O melhor livro nacional: Não Verás País Nenhum – Ignácio de Loyola Brandão
Angustiante. Impactante. Assustador. São algumas das palavras com as quais eu descrevo essa leitura que me surpreendeu do início ao fim. Este é o primeiro livro de Ignácio de Loyola Brandão que leio e com certeza não será o último. Gostei muito da história e de sua narrativa desenvolta que nos envolve na leitura e torna impossível não querer ir até o final, mesmo que este final pareça horripilante.
- O melhor livro que li em 2011: O Bobo da Rainha – Philippa Gregory
O livro é simplesmente sensacional e foi para a lista de favoritos.Philippa conseguiu se superar nesta narrativa inebriante e impecável!
- Li em 2011 76 livros
- Minha meta literária para 2012 é 100 livros
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Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.
Aqui está um resumo:
O Estádio Olímpico de Londres tem uma capacidade de 80.000 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 290.000 vezes em 2011. So fosse o Estádio, eram precisos 4 eventos esgotados para que todos o visitassem.
Clique aqui para ver o relatório completo
Aos meus visitantes só tenho a agradecer por um ano tão cheio de visitas e comentários maravilhosos! Obrigada por todo apoio e carinho
Sei que muitas vezes eu não sou tão presente e nem retribuo as visitas e por isso peço desculpas. Tenarei melhorar agora em 2012! Mas não é por não visitá-los ou comentar em seus blogs que não é recíprico o respeito e admiração. Tenho um carinho muito especial por todos vocês. Afinal, vocês são, também, o motivo pelo qual o “Entre Aspas” continua =)
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Que não nos faltem bons sentimentos. Que nos falte egoísmo. Que nos sobre paciência. Que sejamos capazes de enxergar algo de bom em cada momento ruim que nos acontecer. Que não nos falte esperança. Que novos amigos cheguem. Que antigos sejam reencontrados. Que cada caminho escolhido nos reserve boas surpresas. Que a cada sorriso que uma criança der nos faça ter um bom dia e enxergar uma nova esperança. Que cada um de nós saiba ouvir cada conselho dado por uma pessoa mais velha. Que não nos falte vontade de sorrir. Que sejamos leves. Que sejamos livres de preconceitos. Que nenhum de nós se esqueça da força que possui. Que não nos falte fé e amor”.
. Caio Fernando Abreu .
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TEMA: Lançamentos do Ano
MÊS: Dezembro
Livro: Quarto
Autor(a): Emma Donoghue
Editora: Verus
Páginas: 349
Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5- Adorei)
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Eu já esperava por uma história de sofrimento e angústia quando comecei a ler “Quarto”, afinal tinha visto as críticas de seu lançamento na revista Veja. E também já sabia que a história era narrada por uma criança de 5 anos nascida num quarto pequeno e fechado e que só tinha aquilo como visão de mundo. E só por esses motivos eu já sabia que o livro me interessava. O que eu não esperava, era encontrar uma narrativa tão bem estruturada na linguagem infantil de Jack e que isso fosse me cativar tanto a ponto de entrar em desespero em certas cenas, querendo ajudá-lo ou salvá-lo dos problemas advindos de uma vida restrita a quatro paredes.
Não conhecia o trabalho de Emma Donoghue até então e achei que ela foi muito bem sucedida em contar a história pelos olhos de Jack. Já havia visto esse mesmo sucesso em “O menino do Pijama Listrado” de John Boyne. É incrível como ver a situação terrível pela qual ambos os garotos passaram pelos olhos infantis e inocentes nos causa mais angústia do que se a história fosse contada através de um olhar adulto e com mais compreensão.
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─ Olho pra essa cozinha e vejo o rosto dela, não dá pra aguentar.
─ Dá, sim. As coisas vão melhorar.
─ Talvez eu devesse me mudar daqui, sei lá.
─ Faça o que acha que precisa fazer, mas a dor sabe seguir a gente direitinho.
Christopher Moore in Um Trabalho Sujo
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