Respirou fundo. Morangos, mangas maduras, monóxido de carbono, pólen, jasmins nas varandas dos subúrbios. O vento jogou seus cabelos ruivos sobre a cara. Sacudiu a cabeça para afastá-los e saiu andando lenta em busca de uma rua sem carros, de uma rua com árvores, uma rua em silêncio onde pudesse caminhar devagar e sozinha até em casa. Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul – daquela não-dor, afinal”
. Caio Fernando Abreu in Estranhos Estrangeiros .
Não-dor
Outubro 1, 2009 por ♥ Lyani












O entre aspas sempre com entre aspas muito interssantes.
Um beijo
E eu fiquei a respirar nessas doces e perfumadas palavras!
Abraços…
Nossa que lindo Oo Eu gosto bastante desse autor, as palavras dele sempre tocam os leitores. Beijos meus.
Você sempre nos presenteando com essas maravilhas. E por falar em presente, tem um pra vc lá no meu florescer. Colha e receba o meu carinho.
Um abraço
Penso se essa “não-dor” não é algo parecido como uma fuga consciente do que pode nos levar a dor, entao evitamos… ensinamos o cerebro a buscar a rua vazia, deixamos o vento nos tocar e nos levar para onde a vida quiser, ou para onde nao exista dor…
Beijos
Tão profundo, tão cheio de sentimento… Simplesmente lindo!
[...] (Caio Fernando Abreu em Estranhos Estrangeiros, via “entre aspas”) [...]