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Archive for the ‘Citações’ Category

Grande Ilusão

Como raramente sou simpática, embora sempre bem-educada, não gostam de mim, mas me toleram porque correspondo tão bem ao que a crença social associou ao paradigma da concierge, que sou uma das múltiplas engrenagens que fazem girar a grande ilusão universal de que a vida tem um sentindo que pode ser facilmente decifrado”.

. Muriel Barbery in A Elegância do Ouriço .

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Cansada

Sou a mulher mais cansada do mundo. Fico cansada assim que me levanto. A vida requer um esforço de que me sinto incapaz. Por favor passa-me esse livro pesado. Preciso de pôr qualquer coisa pesada sobre a cabeça. Necessito constantemente de pôr os meus pés sob almofadas para que consiga continuar na terra. De outro modo sinto-me partir, partir a uma velocidade tremenda, tão leve me sinto. Sei que estou morta. Logo que pronuncio uma frase a sinceridade morre e torna-se numa mentira cuja frieza me gela. Não me digas nada, vejo que me entendes, mas tenho receio dessa compreensão, tenho medo de encontrar alguém semelhante a mim e ao mesmo tempo desejo-o. Sinto-me tão definitivamente só, mas tenho tanto medo que o isolamento seja violado e eu não seja mais o cérebro e a lei do meu universo. Sinto-me no grande terror do teu entendimento, meio por que penetras no meu mundo; e que, sem véus, tenha então que partilhar o meu reino”.

. Anais Nin in A Casa do Incesto, Assírio e Alvim .

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O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2017 foi anunciado hoje (05/10). O escolhido pela Academia Sueca para receber a láurea foi Kazuo Ishiguro “que, em romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo”, nas palavras da Instituição. Antes do anúncio oficial, a canadense Margaret Atwood, o queniano Ngugi Wa Thiong’o e o japonês Haruki Murakami lideravam as apostas para o Nobel de Literatura deste ano.

Kazuo Ishiguro nasceu na cidade de Nagasaki, no Japão, em 1954. Aos 5 anos de idade, porém, se mudou com a família para a Inglaterra, razão pela qual cresceu sob a influência das duas culturas. O escritor voltaria para a sua terra natal quase 30 anos mais tarde. O Japão pós-Guerra foi tema dos livros A Pale View of Hills(1982) e An Artist of the Floating World (1986), seus dois primeiros romances publicados.

No Brasil, o escritor tem cinco obras lançadas, todas pela editora Companhia das Letras: Quando éramos órfãos (2000), Noturnos (2010), O gigante enterrado(2015), Os vestígios do dia (2016) e Não me abandone jamais (2016). As duas últimas viraram filmes em 1993 e 2010, respectivamente, com contribuições do próprio Ishiguro para as adaptações dos roteiros.

Após receber o Man Booker Prize, em 1989, pelo livro Os vestígios do dia, Kazuo Ishiguro tornou-se um best-seller mundial. A escolha do escritor nipo-britânico para receber o Nobel sucede a controversa decisão de laurear o músico norte-americano Bob Dylan, em 2016.

Fonte: TAG Et Cetera

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Amava a morte
Mas não era correspondido
Tomou veneno
Atirou-se de pontes
Aspirou gás
Ela, sempre ela, o rejeitava
Recusando-lhe o abraço

Quando finalmente desistiu da paixão
Entregando-se à vida
A morte, enciumada
Estourou-lhe o peito.

. Marina Colasanti

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Morno Repouso

{…} Não teria então lançado esse grito de covardia,
Resignado o pensamento e denunciado a vida,
Não teria chamado de bendito o poder de esquecer…
Nem, estendendo para a morte as minhas mãos impacientes,
Implorando que em troca de um morno repouso,
Me arrebatassem esta alma palpitante
E este sopro de vida.
Oh! deixe-me morrer… e que logo se acabe
A terrível disputa entre o corpo e a alma.
Que o mesmo Sono para sempre a absorva
A derrota do bem e o mal triunfante!

. Emily Brönte in O vento da Noite .

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Pertencer

Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
{…}
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.

Clarice Lispector in A Descoberta do Mundo

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Mentira Universal

O problema é que os filhos acreditam nos discursos dos adultos e, ao se tornar adultos, vingam-se enganando os próprios filhos. “A vida tem um sentido que os adultos conhecem” é a mentira universal em que todo mundo é obrigado a acreditar. Quando, na idade adulta, compreende-se que é mentira, é tarde demais. O mistério permanece intacto, mas toda a energia disponível foi gasta há tempo em atividades estúpidas. Só resta anestesiar-se, do jeito que der, tentando ocultar o fato de que não se encontra nenhum sentido na própria vida e enganando os próprios filhos para tentar melhor se convencer… Fico pensando se não seria mais simples ensinar desde o início às crianças que a vida é absurda. Isso privaria a infância de alguns bons momentos, mas faria o adulto ganhar um tempo considerável…”.

. Muriel Barbery in A Elegância do Ouriço .

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