Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Caio F. Abreu’ Category


Livro:
 O Ovo Apunhalado
Autor(a): Caio Fernando Abreu
Editora: Agir
Páginas: 172

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

 

~

Eu só conheci Caio F. por causa de Clarice. Quando uma amiga soube que eu gostava muito de Clarice, me pediu pra ler Caio F. Eu e ele temos o amor por Clarice em comum. E não só isso, são tantos outros sentimentos em comum. Caio, assim como Clarice, me conta.

Mas agora falando do livro: é puro sentimento. Os mais diversos sentimentos divididos em 20 contos fantásticos. Alguns não me comoveram ou despertaram tantas emoções, outros no entanto…

O livro já começa te deixando tonto com “Nos Poços”. Não há o que falar, cito apenas o trecho:

Primeiro você cai num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? Agente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir quê”.

Depois disso é só emoção. Recomendo a leitura!

Anúncios

Read Full Post »

Continuando.

Dói de todos os lados, os de fora, os de dentro, de baixo e de cima, nenhuma saída, e você meio cego, meio tonto, só sabe que tem que continuar, meio sem esperança, as ilusões despedaçadas, o coração taquicárdico, língua seca, e continuando. Continuando. Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo. Mas sinto que o coração se depura (é tão antigo falar em coração…) um pouco mais, em cada porrada”.

. Caio Fernando Abreu in Carta a Suzana Saldanha .

Read Full Post »

Criatura Intoxicada

Claro que me dá um puta medo de estar me transformando numa criatura intoxicada de palavras escritas — tenho visões futuras onde me vejo fechado num lugar com as paredes cobertas de livros, quem sabe gatos, um som e mais nada”.

. Caio Fernando Abreu in Carta a João Silvério Trevisan .

Read Full Post »

Mudança

O que eu queria que entendesses é que sou uma pessoa. Com certa inteligência, certa cultura, certa sensibilidade. E certas idéias (que não te agradam). Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado. Essa modificação vinha se processando sem que eu mesmo percebesse e, com determinadas leituras e determinadas vivências, ela se consumou”.

. Caio Fernando Abreu in Carta a Hilda Hist .

Read Full Post »

Feliz Natal!

Só uma coisa era fundamental (e dificílima): acreditar”.

. Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifânias .

Read Full Post »

Manhãs e Silêncios

Aquela como uma vontade de ser feliz, de haver alguma ordem ou estar noutro lugar onde fosse possível sentar ao sol comendo maçãs, deixava também de ser como um estar-à-beira-de-qualquer-coisa-boa. Campainha e telefone mudos, a manhã a transformar-se em tarde, emergia venenosa a sufocação, vontade de fugir, de não ser quem era nem ter vivido nenhuma das coisas que vivera. Todo um passado, essa coisa que chamam de passado, desembocava ali naquele momento, em pleno centro das manhãs esbranquiçadas de silêncio”.

. Caio Fernando Abreu in Estranhos Estrangeiros .

Read Full Post »

Meus queridos: imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?)…

Caio Fernando Abreu in Cartas
A Vera e Henrique Antoun

 

Read Full Post »

Older Posts »

%d blogueiros gostam disto: