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Archive for the ‘Lya Luft’ Category

O Fácil

A cada dia, mesmo sem saber, sem querer, estamos nos criando. Ninguém pode nos dizer que será fácil. O fácil pode ser desinteressante, e merecemos ao menos alguma vez fazer, querer, ser, o interessante, o audacioso, apesar dessa incrível sensação de fragilidade que nos acompanha”.

. Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre .

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Cotidiano

O incansável mecanismo do cotidiano também é inimigo da dor.
Aí pensamos que ela está mais suportável. Mas um movimento inesperado, um som, uma palavra, um cheiro, um objeto desintegra outra vez o que parecia se reestruturar.
É processo complexo que varia em cada pessoa, em cada circunstância. Seja como for, de tropeço em tropeço, de agonia em agonia, retomamos o prumo. Pois mesmo quando de um lado a morte nos abraça, do outro a vida nos chama.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

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Dizendo sim

Não é preciso decidir segundo leis da sociedade ou críticas alheias, nem, a essa altura, fazer o impossível para ser aceito na tribo, como na adolescência: descobrir o que se quer é essencial. É raro. E, como afirmou um personagem meu, quando alguém resolve não pagar mais o altíssimo tributo da acomodação, mas construir sua história além dos ditames e dos preconceitos, está pela primeira vez para si mesmo dizendo sim.
Dizendo: eu sou esse, não outro; meu jeito é assim, essa é a minha voz, isso eu quero, não o que os outros esperam de mim. E , se não faço mal a ninguém, eu vou por esse caminho.
Aprendemos eventualmente a gostar de nós. Gente demais se subestima, se desvaloriza, aceita qualquer vida, qualquer pessoa, qualquer roteiro.
Conseguimos até ficar sozinhas nessa pequena liberdade: a de que o tempo é um fato natural, é crescimento e mudança permanente. Que ele não só nega e rouba com uma das mãos, mas com a outra mão, oferece.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

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Império das Perdas

Cruéis convenções nos convocam: estar em forma, ser competente, ser produtivo, mostrar serviço, prover, pagar, e ainda ter tempo para ternura, cuidados, amor. O curso da existência começa a ser para muitos uma ameaça real. A sociedade é uma mãe terrível, a vida um corredor estreito, o tempo um perseguidor implacável: belos e competentes, ou belos ou competentes, atordoados entre deveres e frestas estreitas demais de liberdade ou sonho.
Nós construímos isso.
Só não prevíamos as corredeiras, as gargantas, os redemoinhos, a noite lá no fundo dessas águas. É quando toda a competência, a eficiência, o poder, se encolhem e ficam nus, e sós, na nossa frágil maturidade, sob o império das perdas que começam a se apresentar sem cerimônia.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

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Pensar dói.

Mas se não formos demasiado fúteis nem nos avaliarmos apenas pelo bolso e pelo físico, pode haver muita energia boa na maturidade. Alguns trabalhos cumpridos, ainda horizontes pela frente, sensação de que afinal podemos repensar muitas coisas.
Digo e repito sempre que quando se diz “pare um pouco pra pensar”, a reação é mais ou menos “parar pra pensar? nem pensar! se eu paro pra pensar, desmonto”.
Já comentei isso, e aqui, como outras coisas mais, retomo: porque me agrada, porque aqui me importa.
Então a gente não pensa: segue adiante, busca, luta, desperdiça tempo e alegria, as dores são surdas e insidiosas, perdemos o prumo, o rumo, a vida se vai e agora, e agora?
Uma distração qualquer, e a mão que se estende chega tarde, o pulso já fora cortado; por um fio, por um minuto, o avião havia partido, o telefone estava fora do gancho. Foi egoísmo nosso, futilidade, aridez? Descartamos o que não faz parte do nosso mundo. Porque somos perversos?
Porque somos humanos.
(Pensar dói).

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

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Roteiro

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Cada um de nós precisa (mas ninguém nos explica isso) escrever o roteiro de sua existência dando-lhe sentido nos espaços brancos e nas entrelinhas das fatalidades e dos acasos (nos quais eu não acredito). Cúmplices de nós mesmos nesse solitário brinquedo de existir, alternamos trabalho duro com euforia cintilante, desejo de se ocultar atrás de fantasias e o ímpeto de arrancar as máscaras e finalmente ser”.

. Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre .

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Palavras Ansiosas

Eu batia pé — porque era impertinente, e porque queria algo “agora”. Um dos adultos, divertido, disse: — O agora nem existe! Aborrecida, pedi a meu pai que me explicasse aquilo, e ele tentou: — O tempo está sempre passando, é como a água de um rio, a cada instante tudo muda. Até a gente não é a mesma pessoa de um segundo atrás. E acrescentou para eu entender melhor: — Quando a gente começa a pensar a palavra “agora”, entre o primeiro “a” e o “a” final já transcorreu um tempinho, portanto nada é a mesma coisa, e a cada momento a gente não é a mesma pessoa. Levei dias procurando em vão empilhar as letras do “agora” para que fossem uma coisa só, num só instante. Mas não consegui enganar a esfinge que nos proporciona pequenos milagres e grandes tragédias, no duelo das ideias e das palavras ansiosas.

Lya Luft in O Tempo é um Rio que Corre

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