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Tenho o santo horror da frieza calculada, da boa educação, do prudente juízo duma mulher. Aos homens pertence tudo isso, e a mulher deve ser muito feminina, muito espontânea, muito cheia de pequeninos nadas que encantem e que embalem. Meu amigo, se esperas ter uma mulher sem areia nenhuma, morres de aborrecimento e de frio ao pé dela e não será com certeza ao pé de mim… Comigo hás-de ter sempre que pensar e que fazer. Hás-de rir das minhas tolices, hás-de ralhar quando elas passarem a disparates (hão-de ser pequeninos…) e hás-de gostar mais de mim assim, do que se eu fosse a própria deusa Minerva com todo o juízo que todos os deuses lhe deram”.

. Florbela Espanca in Correspondências .


Livro:
 O Coração Amarelo
Autor(a): Pablo Neruda
Editora:
 L&PM
Páginas: 88

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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E de tanto não responder, tenho o coração amarelo”.

Acho que essa frase diz muito sobre esse livro de Neruda, que não poderia ter um nome mais propício. Acredito que o Amarelo foi usado pelo autor para denotar a tristeza, angústia, aperto no peito e cansaço. O livro foi escrito pouco tempo antes dos anos cruéis e terríveis da ditadura em seu país, o Chile. E é como se os lindos poemas de Neruda reunidos neste coração amarelo fossem uma homenagem às amizades e amores que teve em sua vida. De todos os belíssimos poemas, destaco “O tempo que não se perdeu“, e termino com uma frase que me chamou atenção:

O medo é também um caminho”.

Leitura recomendada!


Livro:
 Veronika Decide Morrer
Autor(a): Paulo Coelho
Editora:
 Benvirá
Páginas: 254

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Eu confesso que não sou fã de Paulo Coelho! Já li alguns livros dele, como “O Alquimista” (não gostei), “Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei” (gostei) e “Diário de um Mago” (que desisti no meio da leitura). Não é o tipo de literatura que costuma me agradar e acho-o muito comercial. Escreve bem, prende a atenção, mas não é o tipo de leitura que busco. De qualquer forma, depois que assisti ao filme deste livro que achei muito interessante, senti a necessidade de ler o livro e me surpreendi.

Veronika Decide Morrer é uma história forte sobre a importância da vida e do amor. Veronika é uma jovem igual a muitas outras, igual a nós. Bonita, bem de vida, tem um bom trabalho, não lhe faltam pretendentes. Sua vida transcorre sem grandes acontecimentos, alegres ou tristes. Uma vida normal. Normal demais e ela não é feliz. Um belo dia, achando que nada vai mudar se continuar vivendo, decide acabar com tudo isso e decide se suicidar. Os muitos comprimidos que tomou para tentar o suicídio danificaram o seu coração irreversívelmente, mas não a mataram e ela então é levada para uma clínica chamada Villete para passar seus últimos dias de vida.

Em seu caminho rumo à morte, Veronika começa a descobrir sentimentos que até então desconhecia. Constrói alguns relacionamentos dentro da clínica, se descobre, encontra prazeres em novas atitudes antes jamais pensadas e começa a se arrepender de ter tentado o suicídio. Decide viver os últimos dias de sua existência com intensidade e redescobre a paixão pela vida que tinha perdido.

“Quando tomei os comprimidos, eu queria matar alguém que detestava. Não sabia que existiam, dentro de mim, outras Veronikas que eu saberia amar”.

A leitura dessa história é bastante enriquecedora, nos faz refletir que estamos sempre escolhendo, a cada momento de nossas vidas, entre desistir e seguir adiante. Leitura recomendada!


Livro:
 O Conde de Monte Cristo
Autor(a): Alexandre Dumás
Editora:
 Zahar
Páginas: 1663

Nota: 5
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Eu me apaixonei pela história de O Conde de Monte Cristo, pois é simplesmente fantástica e te prende do início ao fim. Não há como não ser cativado pelo protagonista da história e sentir suas dores, seu rancor, sua vontade de vingança! Alexandre Dumàs foi realmente um mestre na narração desse romance que juntamene com Os Três Mosqueteiros é considerado uma de suas mais populares obras.

Edmond Dantés, um marinheiro que acabara de receber o posto de capitão do navio por mérito e de pedir em casamento o amor de sua vida, Mercedes, é preso sob falsa acusação por ter ido à Ilha de Elba, onde teria recebido uma carta de Napoleão em seu exílio. A carta, na verdade, fazia parte de um plano bolado por três pessoas que tinham interesse no acontecido: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napolão e que queria silênciá-lo, Danglars amigo de Edmund mas que desejava o posto de capitão que lhe fora dado e Fernand Mondengo, seu melhor amigo e primo que desejava casar-se com Mercedes em seu lugar.

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Resenha: O Último Leitor


Livro:
 O Último Leitor
Autor(a): Ricardo Piglia
Editora:
 Companhia das Letras
Páginas: 192

Nota: 4
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Ricardo Piglia reuniu uma série de ensaios sobre o vínculo entre obras e leitores para criar uma espécie de “história imaginária da leitura”. São cenas colhidas ao longo da história literária onde o leitor ficcional é o centro das atenções.

Tudo tem início com o capítulo “O que é um leitor?”, onde Piglia citando Borges, “um dos leitores mais convicentes que conhecemos, a respeito de quem podemos imaginar que perdeu a visão lendo”, introduz sua trajetória em rastrear o modo como a figura do leitor está representada na literatura, ou seja, as representações imginárias da arte de ler na ficção. Já neste primeiro capítulo, cita obras como Hamlet e O Aleph.

Piglia nos traz a partir de então, diversos capítulos interessantes que remotam a este tema: um capítulo sobre Kafka e suas infinitas cartas a Felice Bauer, a garota-datilógrafa, com quem ele trocava impressões sobre o leitor ficcional em cartas que mais pareciam as páginas de um diário; Um ótimo capítulo sobre Che Guevara e seu gosto e vício pela solidão e pela leitura:

“O fato de eu desaparecer para ler, fugindo assim dos problemas cotidianos, tendia a distanciar-me do contato com os companhieros, sem contar que há certos aspectos de meu caráter que não facilitam a aproximação”

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Terra perpétua

Afinal, nasci num tempo em que o tempo não acontece. A vida, amigos, já não me admite. Estou condenado a uma terra perpétua, como a baleia que esfalece na praia. Se um dia me arriscar num outro lugar, hei-de levar comigo a estrada que não me deixa sair de mim”.

. Mia Couto in Terra Sonâmbula .


Livro:
 Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Autor(a): Leandro Norlock
Editora: LeYa Brasil
Páginas: 319

Nota: 3
(sendo: 1- Não gostei 2- Gostei pouco; 3- Gostei; 4- Gostei bastante; 5Adorei)

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Demorei pra conseguir começar a escrever essa resenha. Não sei dizer se gostei ou não deste livro. É um livro que faz você rever conceitos, isso com certeza. O autor o escreveu de forma bastante envolvente e é impossível parar na metade, mesmo não gostando muito do que se leu. E é um tanto desanimador também e provocativo. Principalmente pra quem é bem patriota. Não é o meu caso, mas mesmo assim fiquei pensativa ao ler sobre Santos Dumont e Aleijadinho.

O próprio Narloch, avisa, logo no início do livro: “Este livro não quer ser um falso estudo acadêmico, como o daqueles estudiosos, e sim uma provocação. Uma pequena coletânea de pesquisas históricas sérias, irritantes e desagradáveis, escolhidas com o objetivo de enfurecer um bom número de cidadãos.”

Não me enfureceu, mas também não me fez rir, como no começo imaginei que faria. Imaginei um livro engraçadíssimo e me flagrei muito mais reflexiva durante a leitura do que achando graça.Não dá pra querer saber se tudo que ele escreve é verdade ou não, se o que lemos nos livros de história e aprendemos durante toda nossa vida é verdade ou não. Isso nós nunca saberemos com 100% de certeza. Só quem viveu na época, viu e ouviu. Mas é sempre bom ler sobre todos os pontos de vistas pra poder criar suas próprias opniões a respeito.

É uma leitura recomendada, com certeza, para abrir horizontes e refletir!

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